DAGV contabiliza mais de 560 prisões em flagrante por violência contra grupos vulneráveis

Policial | 23/01/2020 14h05

O Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), unidade plantonista da Polícia Civil, registrou mais de 1,4 mil boletins de ocorrência durante todo o ano passado. Com essas ocorrências, o DAGV contabilizou 563 prisões em flagrante e cinco autos de apreensão em flagrante pela prática de atos infracionais em decorrência de gênero, orientação sexual, crença e cor da pele e também de pessoas idosas.

Segundo o levantamento feito pela unidade, apenas em 2019, durante o plantão 24 horas do DAGV, foram registrados 1.467 boletins de ocorrência, que resultaram em 893 relatórios de ocorrências policiais (ROP), e 40 termos circunstanciados de ocorrência (TCO). Com isso, o DAGV se mostra um importante aliado no combate à violência contra pessoas dos mais diversos grupos da população brasileira.

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O DAGV passou a funcionar em 2004. Já durante o segundo semestre de 2018, a unidade da Polícia Civil na capital passou a realizar atendimentos em regime plantonista. A extensão do horário foi uma medida essencial para a melhoria na qualidade do serviço e no fornecimento de uma resposta mais rápida aos casos de violência contra os grupos que contam com a unidade como aliada.

A delegada Marília Miranda destacou que as mulheres devem ficar atenta a todos os sinais, pois a mais simples mudança no comportamento pode levar a uma agressão física ou verbal. “A mulher deve ficar atenta a sinais do tipo controle de visita, a familiares, a amigos, controle da roupa que ela vai usar. Tudo isso são sinais de sensação de posse do homem em relação à mulher, daí pode evoluir para injúrias, ofensas verbais, agressões físicas e, quiçá um feminicídio. A mulher deve estar atenta e procurar ajuda assim que conseguir identificá-los”, frisou.

A criação da Lei Maria da Penha foi uma importante aliada na proteção da mulher. “Com a divulgação da Lei Maria da Penha e esse empoderamento que as mulheres vêm conseguindo, é muito comum percebermos o aumento da procura delas aqui. Com o plantão é muito perceptível o aumento dos índices de procura, os procedimento cada vez mais vêm aumentando; o que não significa que a violência vem aumentando, mas sim que elas têm o encorajamento de procurar ajuda”, citou.

É importante que a mulher que se sinta vítima de agressão procure ajuda o mais rápido possível. “O ideal é que ela procure a delegacia. Aqui podemos oferecer um abrigo, caso ela esteja correndo risco de vida. Hoje já tem o abrigo municipal e o estadual. Encaminhamos para o exame pericial se houver lesão. Então há uma série de procedimentos. Se for um caso mais simples, a gente pode encaminhar para um núcleo de mediação, muitas vezes conseguimos resolver uma questão mais simples de ofensas verbais e de ameaça com o núcleo de mediação”, complementou a delegada.

O plantão teve início em outubro de 2018. A partir de então, a demanda aumentou muito pois é um atendimento especializado, mais humanizado. todos que trabalham no plantão passaram por um curso de qualificação para um melhor atendimento de grupos vulneráveis. Então já era esperado que o número aumentasse com esse atendimento diferenciado.

A delegada Mariana Diniz reiterou os procedimentos que devem ser adotados pelas pessoas vítimas de violência. “O procedimento é denunciar seja comparecendo aqui pessoalmente, ou então se o crime está acontecendo acionando a Polícia Militar. O boletim de ocorrência, denúncia anônima. A gente pede que se o vizinho tem conhecimento, tem receio de intervir, que pelo menos denuncie com os dados mais precisos: endereço correto e o que souber de informações que coloque para facilitar também a investigação”, ressaltou.

Mesmo o DAGV atendendo a todos os grupos de vulneráveis, a maior incidência de violência contra essas pessoas ainda é registrada contra a mulher. “A maior parte desses crimes tem como vítima a mulher. então a demanda é muito grande relacionada à mulher, depois crianças e adolescente, contra idosos e público LGBT também. Então esse plantão foi implementado a partir de um homicídio ocorrido com uma transexual, infelizmente. a partir de então foi instaurado o plantão, porque se viu a necessidade de um atendimento mais especializado”, concluiu a delegada Mariana Diniz.

Com informações da SSP/SE

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