Saúde explica diferença entre Dengue, Zika e Chikungunya

Saúde | 09/01/2017 08h39

O diagnóstico precoce das doenças causadas pelo Aedes aegypti é determinante para controlar os sintomas e evitar complicações. Apesar de terem características em comum, a Dengue, Zika e Chikungunya apresentam especificidades que determinam o tipo de tratamento a ser adotado.

De acordo com o médico infectologista, referência técnica da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Marco Aurélio, apesar dessas três arborviroses apresentarem sintomas semelhantes, como febre, dores no corpo e manchas na pele, é possível diferenciá-las clinicamente.

“No caso da Chikungunya, além da febre alta (geralmente maior que 38º C), destaca-se a dor nas articulações, que geralmente é intensa e associada a edema (inchaço). Além dessas características da fase aguda, após o 10º dia pode ocorrer recorrência das dores articulares”, explicou.

Foram justamente as dores intensas nas articulações os primeiros sintomas apresentados pela jovem Andreza Silva, de 32 anos. “Os sintomas da Chikungunya começaram a surgir no final de novembro. Dores intensas e repentinas nas articulações fizeram com que eu tivesse dificuldade, inclusive, de me locomover”, contou ela, que mesmo depois do tratamento e da melhora, continua sentindo incômodos.

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Sobre a Dengue, o médico esclarece que também apresenta como característica a febre alta, mas a dor de cabeça e muscular (mialgia) intensa se destacam. Já no caso do Zika Vírus, a doença provoca, em geral, febre baixa (muitas vezes nem percebida), podendo ocorrer dor e edema nas articulações. “Mas a principal característica são as manchas na pele (rash cutâneo), que estão presentes na quase totalidade dos casos”, acrescenta o médico.

“Importante lembrar que essas são as manifestações habituais dessas doenças, mas todas podem se manifestar de forma assintomática, até quadros clínicos atípicos, e cursando com complicações e até o óbito”, destacou Marco Aurélio.

Tratamento

Segundo o médico infectologista referência, é importante considerar que para essas três doenças virais não há um tratamento específico para combater os agentes causadores. Há, sim, tratamentos sintomáticos e de suporte. Diante dos sintomas é preciso buscar os serviços de saúde para obter a orientação médica adequada.

“Antes de falar das particularidades no processo de tratamento, é fundamental salientar que nos casos suspeitos de Dengue, Zika e Chikungunya (fase aguda) são contraindicados: os anti-inflamatórios não esteróides (ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, nimesulida, ácido acetilsalicílico, associações, entre outros), devido ao risco de complicações renais e de sangramento aumentado desses pacientes; assim como também é contraindicada a aspirina (AAS) e os corticosteróides”, informou o médico infectologista.

Além disso, apesar do aumento da hidratação ser importante durante o tratamento de cada uma delas, na Dengue ela possui um papel essencial na prevenção de complicações e diminuição da mortalidade. “Isso ocorre porque a Dengue pode evoluir para choque por perda de líquidos”, explica Marco Aurélio.

Para as pessoas com a Chikungunya, além do uso de analgésicos, conforme a indicação médica, recomenda-se a utilização de compressas frias, de quatro em quatro horas, para alívio das dores nas articulações, e repouso.

“Se as dores persistem ou retornarem após o 10º dia, é preciso buscar um serviço de saúde (de preferência ambulatorial) para que o médico avalie a necessidade de utilização de antiinflamatórios ou analgésicos mais potentes”, destacou.

Manejo da chikungunya

O Ministério da Saúde (MS) divulgou, em dezembro de 2016, um guia clínico, atualizado, para manejo da Chikungunya. O documento objetiva orientar profissionais da saúde para condução dos casos graves, cuidados com gestantes, medicamentos, exames, tratamentos e ações de vigilância. A nova versão auxilia na diferenciação precisa de cada uma das doenças para que o tratamento adequado seja iniciado o mais rapidamente possível.

“O grande destaque está nos reforços de informações sobre as medicações que não devem ser utilizadas na fase aguda de Chikungunya. O intuito é, especialmente, evitar que, na tentativa de aliviar os sintomas, o medicamento utilizado possa trazer complicações”, ressaltou o médico Marco Aurélio.

Para o infectologista, outro destaque importante desse documento são as orientações aos médicos quanto ao manejo dos casos subagudos e crônicos. “A partir disso é possível minimizar os sintomas dos pacientes nessa fase”, revelou. “Assim que lançado, apesar de não haver nenhum treinamento específico, o guia foi amplamente divulgado aos profissionais do estado”, acrescentou.

Prevenção

A população deve manter vigilância para evitar a proliferação do mosquito. É preciso eliminar os possíveis criadouros por meio de medidas simples, como: manter fechadas as caixas d’água e recipientes de armazenamento de água, colocar areia nos pratos de plantas, descartar corretamente o lixo, entre outros.

“As medidas preventivas devem ser reforçadas neste início de ano. Esse é o período em que há maior risco de aumento no número de casos das doenças provocadas pelo Aedes”, ressaltou Marco Aurélio.

Fonte: SES/SE

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