Polícia sergipana apreende 658 armas de fogo no primeiro semestre deste ano

Sergipe | 24/07/2015 19h46

Somente no primeiro semestre deste ano, o Ceacrim, que utiliza os dados cartorários das delegacias Estado para produzir suas estatísticas, registrou 658 armas de fogo retiradas das mãos de criminosos. Esse número é maior que o registrado de janeiro a junho de 2014, quando a polícia apreendeu 619 armas. Para o comandante do GATI, major George Melo, a elevação do número de operações em todo Estado tem contribuído para o aumento do número de armas apreendidas.

Nos primeiros seis meses do ano, o GATI realizou 600 operações policiais de rotina e surpresa. A tática possibilitou que a unidade da Polícia Militar apreendesse 63 armas de armas de fogo no interior de Sergipe. “Junto com essas armas levamos às delegacias 73 pessoas presas em flagrante; além de 47 veículos, 9,7 quilos crack e 43 quilos de maconha”, disse.

Fato comum para os policiais sergipanos é a resposta que os criminosos dão no momento do interrogatório. “Comprei na feira das trocas”. A desculpa, claro, não convence nem mesmo o próprio o suspeito. Para o delegado Flávio Albuquerque, diretor do Departamento de Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil, uma das explicações para a origem das armas não está em Sergipe.

“Temos um país com uma extensão territorial muito grande e aberta e por mais que a polícia apreenda armas de fogo, outras tantas armas clandestinas estão entrando no país. Então é necessário integrar todos os órgãos, como Exército, Marinha, fiscalização em aeroportos e polícia de forma que tenhamos uma diminuição do ingresso dessas armas em nosso Estado”, explicou.

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Albuquerque reitera que o Denarc é a unidade da Polícia Civil que mais apreende armas no Estado devido ao tipo de trabalho que executa: o combate ao tráfico de drogas. De 1º de janeiro a 30 de junho, a unidade apreendeu 54 armas de fogo. “Até 21 de julho, o Denarc já recolheu mais quatro, fechando 58. Apreendemos muitas armas porque no combate ao tráfico de drogas o traficante geralmente tem armas e drogas. O Denarc também acaba por prender em várias operações autores de homicídios, de assaltos, entre outros. É por isso que o trabalho de combate ao tráfico acaba por prevenir a ocorrência de outros crimes e isso tem contribuído para a diminuição dos índices de violência”, enfatizou.

Um consenso entre os policiais é o aumento expressivo do número de menores de idade envolvidos em diversos tipos de crimes. “De três anos pra cá, o GATI apreendeu vários adolescentes armados e o que mais nos causa surpresa é que eles estão sendo flagrados com armas de uso restrito das polícias”, disse o major George.

Gratificação por apreensão de armas de fogo

Vigora em Sergipe uma lei que gratifica policiais civis e militares que apreendem armas de fogo ilegais. Este ano, o secretário de Segurança Pública, Mendonça Prado, autorizou o pagamento de Gratificação Especial por Apreensão de Arma de Fogo (GEAAF) a centenas de policiais. Funciona assim: toda vez que uma equipe policial apreende uma arma de fogo o material é levado para uma delegacia e cabe ao comandante geral da PM e ao delegado geral da PC identificar os policiais responsáveis pela apreensão e encaminhar uma solicitação de pagamento ao secretário de Segurança Pública, Mendonça Prado. Por cada arma apreendida, é pago R$ 400,00.

O Batalhão de Radiopatrulha da Polícia Militar, com atuação na Grande Aracaju, é uma das unidades policiais mais efetivas no quesito apreensão de armas de fogo. Até o dia 22 de julho deste ano, o Batalhão apreendeu 147 armas de fogo. De acordo com comandante do Batalhão, Major Vítor Anderson, as armas são apreendidas em diversas localidades da capital. “É muito comum encontrarmos com os criminosos, revólveres calibre 38 e 32, pistola 380 e até espingarda”, destacou.

Destino das armas

O delegado Flávio Albuquerque informou, ainda, que toda arma apreendida precisa percorrer um caminho legal, definido pela legislação brasileira. “Toda arma apreendida é encaminhada para ser periciada junto ao Instituto de Criminalística. Após a elaboração do laudo pericial, ela é levada ao Poder Judiciário, porque o laudo perpetua a prova, e por fim essa arma é encaminhada ao Exército Brasileiro para ser destruída”.

Quando a arma não chega as mãos das autoridades de maneira coercitiva, o caminho percorrido é totalmente diferente, não precisando passar pelos trâmites de um processo judicial. De acordo com o coordenador do Desarme-se, Fábio Costa, no primeiro semestre de 2015, a população sergipana entregou voluntariamente, nos postos de recebimento da Polícia Civil, 38 armas de fogo.

Entre as armas, estão nove revólveres calibre 38, oito calibre 32, três calibre 22, incluindo uma pistola Bereta Italiana com pente para munições, sete garrunchas, 12 espingardas, sendo uma ponto 44 Winchester e uma calibre 44. O material foi encaminhado ao Exército, em Salvador (BA) para ser destruído. Os antigos donos receberam uma indenização que varia de R$ 150 a 400,00.

Informações da SSP/SE

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