Após 13 dias de espera por uma cirurgia, idosa morre no Huse

Sergipe | 26/06/2015 09h02

huse-Hospital-de-Urgencias-de-SergipeA aposentada Dea Neves de Oliveira, 91 anos, faleceu por volta das 4h do último dia 24, no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) após 13 dias aguardando por uma cirurgia no fêmur.

A idosa deu entrada no hospital no dia 11 de junho, onde ficou internada na Ala Verde aguardando o procedimento. O seu genro, o psicólogo Jorge Barbosa, recorreu ao programa institucional Defensoria em Ação, apresentado pela defensora pública e radialista Emília Correa, pedindo providências e denunciando o descaso do Estado para com os idosos.

Emília Correa entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde para que viabilizasse a cirurgia da aposentada, mas foi informada de que a paciente não seria a única e que haveria um número de idosos na fila de espera. “Dona Dea deu entrada com fratura no fêmur e acabou falecendo. O idoso é frágil e muito vulnerável às doenças, por isso tem prioridade no atendimento. Cabe ao Estado o compromisso de cumprir o Estatuto do Idoso e zelar pela vida do cidadão independente de faixa etária. É inadmissível que o Estado e Município fiquem empurrando a responsabilidade, enquanto vidas estão sendo ceifadas por falta de atendimento. O caso de dona Dea não é isolado, pois há muitos idosos nessa situação”, disse.

“Orientamos a família para que ingressasse com ação por intermédio do Núcleo de Saúde da Defensoria Pública do Estado, inclusive pedimos que providenciasse os documentos necessários, mas não deu tempo”, ressaltou Emília Correa.

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“Achávamos que o problema dela seria logo resolvido, afinal, ela tinha prioridade no atendimento e quando decidimos recorrer à Defensoria Pública já não havia mais tempo. Ela não conseguiu fazer o procedimento cirúrgico porquê o hospital alegava demanda e greve dos médicos. Na verdade, os médicos acabam selecionando as pessoas mais privilegiadas que são os mais jovens e os idosos são os mais penalizados. Os médicos e enfermeiros são seres humanos, mas ficam blindados diante da situação nos hospitais. O Estado deveria gastar menos com outras coisas e investir mais na saúde”, desabafou Jorge Barbosa.

De acordo com o psicólogo, a ala onde estava sua sogra tem capacidade somente para 16 pessoas, mas haviam 30 pacientes. “Por que alguns hospitais públicos funcionam? A gente paga os impostos e na hora que mais precisamos não temos um atendimento digno. O serviço público não é de graça, pagamos através dos impostos, mas infelizmente o que vemos é descaso e falta de compromisso com os governos”, disse indignado.

Segundo Barbosa, a cirurgia estava prevista para o dia 23, mas a aposentada acabou tendo o seu quadro de saúde agravado com infecção respiratória, vindo à óbito. “Ela entrou com uma fratura no fêmur, mas acabou tendo infecção respiratória pela vulnerabilidade e imunidade baixa. O problema de minha sogra era grave, mas instável, pois se a cirurgia fosse feita com 48 horas com certeza ela estaria viva. Eu e toda família nos sentimos injustiçados. Infelizmente o Estado não cumpre os preceitos constitucionais e os administradores atribuem os problemas na saúde ao sistema. Isso é uma forma de justificar o erro, pois tudo agora é o sistema”, indagou Jorge Barbosa.

Débora Matos
Ascom Defensoria Pública do Estado

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